O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da ONU, um marco que reposiciona o país no cenário internacional e reacende o debate sobre segurança alimentar e políticas públicas eficazes. A conquista reflete a combinação de programas de transferência de renda, fortalecimento da assistência social e estratégias voltadas à geração de emprego e renda. Ao longo deste artigo, analisamos os fatores que contribuíram para esse resultado, seus impactos práticos na vida da população e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para garantir que o avanço seja duradouro.
Estar fora do Mapa da Fome significa que o país reduziu significativamente os índices de subalimentação entre sua população. Esse indicador, acompanhado por organismos internacionais, mede o percentual de pessoas que não consomem calorias suficientes para manter uma vida saudável. Quando o Brasil deixa essa estatística negativa, demonstra que houve melhora concreta nas condições de acesso à alimentação básica.
A conquista, no entanto, não ocorre de forma isolada. Ela está diretamente associada à retomada e ampliação de políticas públicas de combate à pobreza. Programas de transferência de renda exercem papel central nesse processo, pois garantem recursos mínimos para que famílias em situação de vulnerabilidade possam adquirir alimentos. Além disso, a atualização de cadastros sociais e o aprimoramento dos mecanismos de fiscalização contribuíram para tornar o sistema mais eficiente.
Outro elemento decisivo foi o fortalecimento da rede de proteção social. A integração entre assistência social, segurança alimentar e políticas de inclusão produtiva ampliou o alcance das ações governamentais. Restaurantes populares, cozinhas comunitárias e programas de aquisição de alimentos da agricultura familiar ajudaram a estruturar uma rede capaz de atender diferentes realidades regionais. Esse modelo não apenas combate a fome imediata, mas também estimula economias locais.
A saída do Mapa da Fome também dialoga com o desempenho do mercado de trabalho. A geração de empregos formais e a recuperação gradual da renda média impactam diretamente a capacidade das famílias de garantir alimentação adequada. Embora o crescimento econômico não seja, por si só, suficiente para eliminar a pobreza, ele cria ambiente favorável para políticas redistributivas mais eficazes.
Ainda assim, é necessário analisar o cenário com cautela. A insegurança alimentar não desaparece automaticamente quando o país deixa o Mapa da Fome. Milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para manter uma dieta equilibrada e nutritiva. A inflação dos alimentos, por exemplo, continua sendo fator de pressão sobre o orçamento das famílias de baixa renda. Portanto, a manutenção do resultado depende de estabilidade econômica e continuidade das políticas sociais.
Do ponto de vista estrutural, o combate à fome exige ações coordenadas em diversas frentes. Investimentos em educação ampliam oportunidades e reduzem desigualdades de longo prazo. Políticas agrícolas sustentáveis fortalecem a produção interna e diminuem a dependência de importações. Já a ampliação do acesso à água e ao saneamento básico contribui para melhorar as condições de saúde, impactando indiretamente a segurança alimentar.
Há também uma dimensão simbólica relevante. O retorno ao grupo de países fora do Mapa da Fome fortalece a imagem internacional do Brasil e reforça seu protagonismo em debates globais sobre desenvolvimento social. Historicamente, o país já foi referência em programas de combate à pobreza e segurança alimentar. Recuperar essa posição pode abrir espaço para cooperação internacional e troca de experiências bem-sucedidas.
Entretanto, o desafio maior está na sustentabilidade das conquistas. Políticas públicas eficazes dependem de planejamento de longo prazo, recursos adequados e compromisso institucional. Mudanças abruptas de prioridade ou cortes orçamentários podem comprometer avanços alcançados com esforço coletivo. Por isso, é fundamental que o combate à fome seja tratado como política de Estado e não apenas como estratégia de governo.
A participação da sociedade civil também desempenha papel relevante. Organizações comunitárias, movimentos sociais e entidades religiosas frequentemente atuam na linha de frente do enfrentamento à insegurança alimentar. A articulação entre poder público e sociedade amplia o alcance das ações e fortalece mecanismos de controle social.
Além disso, a tecnologia pode contribuir para aprimorar a gestão de programas sociais. Sistemas digitais de monitoramento permitem identificar com mais precisão as famílias em situação de risco, reduzindo fraudes e otimizando recursos. O uso de dados atualizados favorece decisões mais estratégicas e transparentes.
A saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU representa um passo importante na reconstrução de políticas sociais voltadas à dignidade humana. Mais do que um indicador estatístico, o resultado reflete melhorias concretas na vida de milhões de pessoas. O cenário exige vigilância permanente, responsabilidade fiscal e compromisso com a redução das desigualdades. Manter o país fora do Mapa da Fome dependerá da capacidade de consolidar políticas públicas eficazes e transformá las em pilares permanentes do desenvolvimento nacional.
Autor: Eduard Zhuravlev

