Tiago Schietti explica como aprender com referências internacionais para melhorar a gestão do setor funerário

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Tiago Schietti

À medida que o setor funerário brasileiro avança em seu processo de profissionalização, cresce também o interesse por práticas adotadas em mercados mais maduros ao redor do mundo. Tiago Schietti, profissional com visão estratégica sobre o mercado de cemitérios e funerárias, observa que o benchmarking internacional representa uma das ferramentas mais eficazes para que gestores brasileiros identifiquem lacunas em suas operações e encontrem caminhos concretos de melhoria. Aprender com quem já percorreu determinado caminho reduz erros, encurta curvas de aprendizado e acelera a adoção de padrões que elevam a qualidade dos serviços prestados às famílias.

Acompanhe a seguir como o benchmarking pode transformar a gestão de cemitérios e funerárias no Brasil.

O que o mercado internacional tem a ensinar?

Em países como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, o setor funerário opera com níveis elevados de padronização, certificação e especialização profissional que ainda estão em processo de consolidação no Brasil. Nesse contexto, observar como esses mercados estruturam seus protocolos de atendimento, seus modelos de precificação e seus programas de capacitação oferece insumos valiosos para gestores que desejam elevar o padrão de suas empresas sem precisar reinventar soluções que já foram testadas e validadas em outros contextos.

Cabe destacar que o benchmarking internacional não se resume à cópia de modelos, mas à compreensão dos princípios que os sustentam e à adaptação desses princípios à realidade brasileira. Fatores culturais, regulatórios e econômicos precisam ser considerados nesse processo de transposição. Tiago Schietti ressalta que as entidades ACEMBRA e SINCEP têm cumprido papel relevante nessa ponte entre o Brasil e as referências globais do setor, promovendo intercâmbios, participando de eventos internacionais e trazendo ao mercado nacional perspectivas que ampliam o horizonte dos gestores brasileiros.

Como estruturar um processo de benchmarking eficaz?

Implementar o benchmarking de forma eficaz exige método, não apenas curiosidade. O primeiro passo é definir com clareza quais aspectos da operação se deseja comparar, sejam processos de atendimento, modelos de gestão financeira, tecnologias utilizadas ou práticas de sustentabilidade. Conforme apresenta Tiago Schietti, sem esse recorte inicial, o benchmarking tende a gerar volume de informação sem tradução prática, desperdiçando o esforço investido na pesquisa.

Tiago Schietti
Tiago Schietti

Em seguida, é fundamental identificar as fontes certas de comparação, que podem incluir publicações setoriais internacionais, relatórios de associações como a NFDA nos Estados Unidos ou a NAFD no Reino Unido, além de eventos e feiras do setor. O LAB ACEMBRA SINCEP tem funcionado como um espaço privilegiado para esse tipo de intercâmbio, reunindo profissionais brasileiros em contato com experiências e metodologias desenvolvidas em outros países, o que potencializa a capacidade de aprendizado do setor de forma coletiva e estruturada.

Benchmarking aplicado ao atendimento humanizado

Um dos campos em que o benchmarking internacional mais tem contribuído para o setor funerário brasileiro é o do atendimento humanizado. Mercados como o norte-americano e o australiano desenvolveram ao longo de décadas metodologias sofisticadas de suporte ao luto, que vão desde a formação emocional das equipes de atendimento até a criação de ambientes físicos projetados para acolher famílias em estado de vulnerabilidade. Na avaliação de Tiago Schietti, incorporar essas práticas ao contexto brasileiro representa um avanço significativo para empresas que desejam se diferenciar em um mercado cada vez mais exigente.

Também vale destacar que o atendimento humanizado não é apenas uma questão ética, mas um diferencial competitivo com impacto direto na fidelização de clientes e na reputação das empresas. Funerárias e cemitérios que investem em práticas de acolhimento inspiradas em referências internacionais tendem a construir uma base de clientes mais sólida e a gerar mais indicações espontâneas, consolidando sua posição no mercado de forma orgânica e sustentável.

Inovação e tecnologia como campos prioritários de aprendizado

A tecnologia aplicada à gestão funerária é outro campo em que o benchmarking internacional oferece aprendizados relevantes para o Brasil. Sistemas de gestão de cemitérios, plataformas digitais de planejamento funerário, memoriais online e ferramentas de automação de processos administrativos já são realidade consolidada em vários países e começam a ganhar espaço no mercado brasileiro. Sob a perspectiva de Tiago Schietti, empresas que acompanham essas tendências e se antecipam à adoção de tecnologias testadas em outros mercados saem na frente na corrida por eficiência operacional e qualidade de serviço.

Diante desse cenário, o benchmarking tecnológico precisa ser encarado como uma prática contínua, não como uma iniciativa pontual. O mercado funerário global evolui em ritmo acelerado, e gestores que mantêm um olhar sistemático sobre as inovações adotadas por empresas referência em outros países constroem uma vantagem competitiva que se renova permanentemente, posicionando suas empresas como líderes em um setor brasileiro em plena transformação.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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