Seca avança e atinge 67% do território brasileiro, aponta Monitor de Secas

Redação Diário Já
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A seca no Brasil avançou entre julho e agosto de 2026 e passou a atingir 67% do território nacional, segundo a atualização do Monitor de Secas divulgada em 21 de setembro pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O levantamento aponta intensificação do fenômeno principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A severidade da estiagem aumentou em 17 unidades da Federação: Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. A seca também voltou a ser registrada no Amapá e no Distrito Federal durante o período analisado.

O mapa da ANA retrata as condições observadas entre julho e agosto e não representa, isoladamente, uma previsão climática para os meses seguintes. A área atingida e a intensidade do fenômeno podem variar entre estados e regiões, por isso os dados precisam ser lidos em conjunto com os indicadores de chuva, umidade do solo e disponibilidade de água.

Nordeste concentra o quadro mais severo

O Nordeste apresentou a situação mais intensa entre as regiões brasileiras. Em agosto, 90% da área nordestina registrava algum grau de seca, enquanto 16% do território regional enfrentava seca grave. Entre os estados da região, a Bahia teve o quadro mais severo no período.

O Ceará também registrou uma ampliação expressiva da área afetada. A parcela do território estadual sob influência da seca passou de 30% em julho para 88% em agosto. O avanço reforça a diferença entre a extensão territorial atingida e o grau de severidade observado em cada localidade.

A seca pode ser classificada a partir de diferentes dimensões. A chamada seca meteorológica está relacionada à redução das precipitações em determinado período. Já a seca agrícola considera os efeitos da falta de umidade sobre o solo e a produção rural, enquanto a seca hidrológica está associada à redução da disponibilidade de água em rios, reservatórios e bacias.

Amazonas e Acre têm avanço expressivo

Na Região Norte, o Amazonas teve aumento da área com seca de 60% para 94% do estado entre julho e agosto. O Acre permaneceu com o fenômeno em 100% do território e registrou, em agosto, a maior severidade da seca no país. Roraima também apresentou seca em toda a sua extensão.

Ao todo, cinco unidades da Federação registraram seca em 100% dos respectivos territórios: Acre, Distrito Federal, Espírito Santo, Piauí e Roraima. O dado indica que o fenômeno estava presente em toda a área desses estados e do Distrito Federal, mas não significa que a intensidade tenha sido igual em todos os municípios.

O avanço da estiagem pode aumentar a pressão sobre o abastecimento de água, a produção agropecuária, a navegação fluvial e a geração de energia, dependendo das condições locais e da disponibilidade dos reservatórios. Os impactos também podem aparecer de forma diferente entre áreas urbanas, comunidades rurais e regiões dependentes dos rios para transporte.

Sul fica livre de seca no período analisado

Em contraste com o cenário observado no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a Região Sul apresentou a condição mais favorável no levantamento. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ficaram livres do fenômeno entre julho e agosto de 2026, segundo a atualização do Monitor de Secas.

No Sudeste, a ANA apontou uma redução da intensidade da seca em comparação com outras áreas do país, embora Espírito Santo e Minas Gerais estejam entre as unidades da Federação que registraram aumento da severidade no período. A leitura regional mostra que a situação não foi uniforme em todo o território brasileiro.

Cemaden aponta atenção para bacias e reservatórios

O cenário também foi acompanhado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Em boletim publicado em 10 de setembro, o órgão indicou a persistência de condições de seca em bacias importantes do país e previsão de intensificação no rio Negro. O documento também apontou seca extrema na bacia do rio Paraguai.

Outro material do Cemaden, divulgado na mesma data, tratou da situação atual e da projeção hidrológica para o Sistema Cantareira. A análise de bacias e reservatórios é relevante porque a seca hidrológica pode continuar mesmo após a retomada das chuvas, dependendo do volume acumulado e da resposta dos rios e sistemas de abastecimento.

Os dados da ANA e do Cemaden ajudam a acompanhar a evolução da seca no Brasil e a orientar ações de monitoramento. Como o levantamento do Monitor de Secas se refere ao período de julho a agosto, novas atualizações serão necessárias para indicar se o fenômeno continuará avançando, perderá intensidade ou mudará de distribuição nas diferentes regiões do país.

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