A Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco) deflagraram, em 24 de setembro de 2026, a Operação Crédito Oculto. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto e investiga conexões financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio e dissimular a origem de recursos relacionados à aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
De acordo com informações divulgadas pela Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão envolvendo 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. As medidas ocorreram em sete estados: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Investigação mira cadeia de estruturas financeiras
A apuração concentra-se na possível utilização combinada de banco, fundos de investimento, fintechs, holdings, empresas patrimoniais, empresas de fachada e um escritório de advocacia. Segundo o órgão federal, a combinação dessas estruturas teria permitido movimentar recursos e dificultar a identificação de seus beneficiários econômicos, além de separar formalmente os ativos das pessoas que poderiam controlá-los.
As autoridades investigam, portanto, não apenas transferências isoladas, mas a forma como diferentes empresas e instrumentos financeiros teriam sido organizados. Fundos, holdings e empresas patrimoniais podem ter funções legais e legítimas na atividade econômica, mas, neste caso, a suspeita é de que tenham sido empregados em conjunto para ocultar patrimônio, dissimular a origem dos valores e viabilizar operações sob investigação.
Um dos principais pontos identificados até o momento envolve uma usina sucroalcooleira. Conforme a Receita Federal, a empresa teria recebido aproximadamente R$ 100 milhões destinados ao financiamento da aquisição da distribuidora de combustíveis. Os investigadores suspeitam que os valores tenham passado por diferentes contas e empresas antes de serem incorporados a uma estrutura formada por fundos e operações de crédito.
Movimentação de R$ 11,6 bilhões está sob análise
A operação também identificou movimentação aproximada de R$ 11,6 bilhões, entre 2021 e 2025, por uma empresa financeira que teria sido utilizada na estrutura investigada. Para a Receita Federal, o volume financeiro, analisado em conjunto com outros elementos reunidos na apuração, reforça os indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e possível lavagem de capitais.
O valor movimentado não representa, por si só, uma conclusão sobre a origem de todos os recursos ou sobre a participação de cada pessoa e empresa citada na investigação. A análise depende do exame de documentos, registros financeiros e outros materiais recolhidos durante o cumprimento das medidas judiciais. As suspeitas ainda precisam ser esclarecidas no curso da apuração e submetidas às instâncias competentes.
Operação é desdobramento da Carbono Oculto
A Crédito Oculto amplia a investigação iniciada na Operação Carbono Oculto ao aprofundar o rastreamento de conexões financeiras associadas aos investigados. O foco está na identificação de possíveis caminhos usados para transferir, financiar ou incorporar recursos em uma operação de aquisição no setor de combustíveis, segmento que possui relevância econômica e alcance nacional.
A atuação conjunta da Receita Federal e do Gaeco reúne a análise tributária e financeira do órgão federal com a investigação criminal conduzida pelo Ministério Público de São Paulo. A presença de alvos em sete estados indica que os fatos apurados envolvem empresas e movimentações distribuídas por diferentes regiões do Brasil, embora a fonte oficial não apresente, nesta divulgação, a identificação da distribuidora ou dos investigados.
O que as autoridades apuram
Em termos gerais, a investigação busca esclarecer quem forneceu os recursos, por quais empresas e contas eles circularam e como foram estruturados os financiamentos relacionados à aquisição da distribuidora. Também está sob análise a eventual utilização de pessoas jurídicas sem atividade compatível com os valores movimentados ou empregadas para dificultar a identificação dos responsáveis pelos ativos.
A Receita Federal informou que os elementos reunidos apontam para possíveis práticas de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais. Como a Operação Crédito Oculto está em andamento, essas referências devem ser tratadas como hipóteses investigativas, sem antecipar responsabilidade ou conclusão judicial definitiva sobre os envolvidos.

