O Ministério da Saúde protocolou, em 24 de setembro de 2026, um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analise a possível inclusão de medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras no atendimento público. A solicitação ainda será avaliada e não representa uma decisão de oferta dos produtos pelo SUS.
O pedido envolve medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, integrantes da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Segundo o Ministério da Saúde, a análise considera o aumento da prevalência da obesidade no Brasil, a redução dos preços desses produtos e a ampliação da concorrência no mercado nacional.
A pasta informou que 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026. O crescimento da oferta de produtos, porém, não significa que todos estejam disponíveis na rede pública ou que qualquer pessoa possa receber esse tipo de tratamento pelo SUS.
O que foi pedido pelo Ministério da Saúde
O governo federal solicitou à Conitec uma avaliação técnica sobre a possibilidade de incorporar essas terapias ao sistema público. A comissão deverá analisar as evidências clínicas disponíveis, a segurança dos medicamentos, a relação entre custos e benefícios e o impacto orçamentário de uma eventual adoção.
Também será necessário definir critérios clínicos para estabelecer quais pacientes poderiam ter acesso ao tratamento, caso a incorporação seja aprovada. Esses critérios podem delimitar a população atendida, mas ainda não foram anunciados porque dependem da análise da Conitec e de uma decisão posterior.
Por isso, o anúncio deve ser interpretado como o início de uma etapa de avaliação, e não como a liberação imediata das canetas emagrecedoras no SUS. Até a divulgação de uma decisão oficial, os medicamentos continuam sem incorporação confirmada para essa finalidade na rede pública.
Como funciona a análise da Conitec
A Conitec é responsável por avaliar tecnologias que podem ser incorporadas ao SUS. Nesse processo, são considerados aspectos como os resultados dos tratamentos para a saúde dos pacientes, os riscos associados ao uso, os custos envolvidos e o efeito da medida sobre o orçamento público.
No caso dos medicamentos para obesidade, a avaliação também deverá considerar quais pessoas poderiam se beneficiar, em que condições clínicas o tratamento seria indicado e como seria feito o acompanhamento. A eventual oferta dependeria, portanto, de uma decisão baseada nas evidências e de regras específicas para utilização.
O Ministério da Saúde não informou, na publicação de 24 de setembro, uma data para a conclusão da análise ou para uma possível distribuição dos medicamentos. Também não foi divulgado um cronograma para definir os critérios de acesso. A situação atual é de pedido protocolado e aguardando avaliação.
Quais medicamentos estão envolvidos
Semaglutida e liraglutida pertencem à classe dos agonistas de GLP-1. Esses medicamentos passaram a ocupar espaço no debate público por sua utilização em tratamentos relacionados à obesidade, além de indicações específicas que devem ser definidas conforme cada produto e avaliação médica.
As chamadas canetas são dispositivos aplicadores que facilitam a administração dos medicamentos. O formato, no entanto, não elimina a necessidade de prescrição, acompanhamento profissional e avaliação individual sobre riscos, benefícios e adequação do tratamento.
Em dezembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde publicou sua primeira diretriz global sobre o uso de terapias GLP-1 contra a obesidade. A entidade ressaltou que a recomendação é condicional e depende de acompanhamento médico, políticas de acesso e preparação dos sistemas de saúde.
Quando as canetas podem chegar ao SUS
Ainda não há confirmação de que as canetas emagrecedoras serão incorporadas ao SUS, nem previsão oficial de quando isso poderia ocorrer. Antes de uma eventual oferta, a Conitec precisa concluir a análise e avaliar os diferentes impactos da medida.
Mesmo que a incorporação seja aprovada, o acesso poderá seguir critérios clínicos específicos. Isso significa que uma possível decisão não necessariamente representaria distribuição ampla para todas as pessoas com sobrepeso ou obesidade. As condições de uso dependeriam das regras estabelecidas pelas autoridades de saúde.
Até o momento, a informação confirmada é que o Ministério da Saúde iniciou o pedido de análise. Pessoas interessadas nesses medicamentos devem buscar orientação de profissionais de saúde e não iniciar, interromper ou modificar tratamentos por conta própria.

