O número crescente de mulheres que realizam cirurgias de implante de prótese mamária trouxe consigo uma dúvida frequente nos consultórios: é possível realizar a mamografia com segurança após a colocação de silicone? Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico radiologista, esclarece que não apenas é possível como é fundamental que essas mulheres mantenham o rastreamento em dia, com a ressalva de que o exame precisa ser adaptado por meio de técnicas específicas que garantam a visualização adequada de todo o tecido mamário.
Por que a prótese exige uma técnica diferenciada?
A presença de um implante de silicone ou de solução salina representa um desafio técnico para a mamografia convencional, pois a prótese é radiopaca, ou seja, bloqueia a passagem dos raios X e pode encobrir parte do tecido mamário situado atrás ou ao redor dela. Isso significa que, sem adaptações, uma porção significativa da mama poderia ficar oculta na imagem, comprometendo a capacidade de detecção de eventuais lesões.
Para contornar essa limitação, foi desenvolvida uma técnica específica conhecida como manobra de Eklund, ou técnica de deslocamento do implante. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues detalha que essa abordagem consiste em deslocar a prótese para trás, em direção à parede torácica, enquanto o tecido mamário é tracionado para frente e comprimido separadamente. Dessa forma, obtêm-se imagens adicionais em que o parênquima mamário aparece sem a sobreposição da prótese, ampliando consideravelmente a área visualizável.
Como o exame é realizado na prática?
Na prática, a mulher com prótese realiza um número maior de incidências do que aquela sem implante. Além das projeções padrão, são acrescentadas as projeções com a manobra de deslocamento, totalizando geralmente oito imagens em vez das quatro habituais. Esse acréscimo é necessário para compensar a área encoberta pela prótese e garantir que o radiologista tenha acesso ao máximo possível de tecido mamário para análise.
É importante que a mulher informe a presença da prótese no momento do agendamento e novamente ao técnico que realizará o exame. Como ressalta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, essa comunicação prévia permite que o serviço se prepare adequadamente, reserve o tempo necessário e aplique a técnica correta desde o início, evitando a necessidade de retorno para complementação e assegurando a qualidade do exame na primeira realização.

A segurança do exame e o risco de ruptura
Uma preocupação comum entre as mulheres com prótese é o risco de a compressão da mamografia provocar a ruptura do implante. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues aponta que esse risco é extremamente baixo quando o exame é realizado por profissional capacitado e com a técnica apropriada. A compressão é aplicada de forma controlada, e a manobra de deslocamento justamente reduz a pressão exercida diretamente sobre o implante, tornando o procedimento seguro para a grande maioria das pacientes.
Ainda assim, mulheres com próteses muito antigas, com sinais de fragilidade ou com histórico de complicações devem discutir o caso individualmente com seu médico, que poderá avaliar a necessidade de métodos complementares como o ultrassom ou a ressonância magnética. A decisão sobre a melhor abordagem deve sempre considerar as características específicas de cada caso, sem que a presença da prótese seja motivo para abandonar o rastreamento.
O rastreamento não pode ser interrompido após o implante
A mensagem central para mulheres com prótese de silicone é clara: a cirurgia estética ou reconstrutiva não elimina a necessidade de prevenção do câncer de mama, e o rastreamento deve continuar normalmente, com as adaptações técnicas adequadas. O risco de desenvolver câncer de mama não é reduzido pela presença do implante, e, portanto, a vigilância precisa ser mantida com a mesma regularidade recomendada para qualquer mulher do mesmo perfil de risco.
Torna-se evidente, portanto, que a prótese mamária não é um obstáculo intransponível para o rastreamento, mas uma condição que exige conhecimento técnico e comunicação adequada entre paciente e serviço de saúde. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues pondera que, com a técnica correta e a orientação apropriada, mulheres com implante podem e devem realizar a mamografia regularmente, preservando seu direito à detecção precoce e ao cuidado integral com a própria saúde.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

