Justiça para menores infratores: a escolha entre punição e uma segunda chance

Eduard Zhuravlev
Eduard Zhuravlev
Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva

Segundo a Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva, a maneira como a sociedade lida com menores infratores é um reflexo direto de seus valores e prioridades. Muitos defendem a punição rigorosa como forma de coibir crimes, enquanto outros acreditam que oferecer oportunidades de reabilitação pode ser mais eficaz. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que adolescentes que cometem atos infracionais devem passar por medidas socioeducativas.

No entanto, a eficácia dessas iniciativas ainda é alvo de debates. Afinal, as medidas socioeducativas são realmente capazes de transformar vidas ou seriam necessárias abordagens mais rígidas? Saiba tudo a seguir: 

As medidas socioeducativas realmente funcionam?

As medidas socioeducativas, como prestação de serviços à comunidade e internação em unidades especializadas, têm como foco principal a reeducação dos adolescentes. Essas iniciativas oferecem acompanhamento psicológico, escolarização e capacitação profissional, permitindo que os jovens tenham novas perspectivas de vida. Quando aplicadas corretamente, essas medidas podem reduzir a reincidência e ajudar na construção de um futuro melhor para esses adolescentes.

No entanto, como evidencia a  Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva, a falta de estrutura e investimento em muitas unidades compromete os resultados esperados. Em alguns casos, os centros socioeducativos se assemelham a prisões, com superlotação e pouca oferta de programas pedagógicos. Sem suporte adequado, muitos jovens saem desses espaços ainda mais vulneráveis ao crime, dificultando sua reinserção social.

A punição rigorosa é uma solução eficaz?

Conforme explica a Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva, a ideia de reduzir a maioridade penal ou aplicar punições mais severas para adolescentes infratores é defendida por quem acredita que apenas medidas rígidas podem coibir a criminalidade. Argumenta-se que, ao enfrentar sanções mais duras, os jovens pensariam duas vezes antes de cometer um delito. Além disso, essa abordagem daria uma resposta imediata à sociedade, que muitas vezes sente que a impunidade predomina.

Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva
Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva

Entretanto, estudos mostram que punições severas não reduzem a reincidência criminal entre jovens. Pelo contrário, sistemas mais punitivos tendem a aproximar os adolescentes do crime organizado, pois os colocam em contato com criminosos experientes dentro do sistema prisional. Dessa forma, sem um olhar voltado para a reabilitação, a sociedade acaba criando um ciclo de criminalidade difícil de ser rompido.

Como garantir uma segunda chance para jovens infratores?

A chave para uma verdadeira mudança está no equilíbrio entre responsabilização e oportunidade. É fundamental que as medidas socioeducativas sejam aprimoradas, garantindo estrutura adequada, acompanhamento contínuo e inserção desses jovens no mercado de trabalho. Programas de educação, esporte e cultura também são essenciais para que os adolescentes encontrem novos caminhos longe da criminalidade.

Além disso, como aponta a  Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva, a participação da sociedade nesse processo é indispensável. Empresas podem oferecer oportunidades de emprego para ex-internos, escolas precisam estar preparadas para reintegrar esses jovens e as comunidades devem ser espaços de acolhimento. Quando a sociedade entende que recuperar um jovem infrator é mais eficaz do que apenas puni-lo, todos saem ganhando.

Em suma, a justiça para menores infratores não deve ser uma escolha entre punição ou segunda chance, mas sim um equilíbrio entre ambas. Para a Associação de Assistência ao Menor Fonte Água Viva, a responsabilização pelos atos cometidos é necessária, mas sem deixar de lado a possibilidade de transformação. Apostar na reabilitação e na reinserção social dos jovens não é apenas uma questão de direitos humanos, mas também uma estratégia inteligente para reduzir a criminalidade. 

Autor: Eduard Zhuravlev

Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital

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